Novo mapa industrial traz oportunidades a mercados emergentes
08/10/2026
Especialistas internacionais discutem diversificação das cadeias globais, regionalização da produção e os caminhos para ampliar a competitividade do Brasil e da América Latina
A nova geografia da indústria e as oportunidades para as economias emergentes estão no centro das discussões do Painel 1 do Congresso Internacional Brasil 2026, que reunirá lideranças globais da cadeia têxtil e de confecção.
Realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção(Abit), em parceria com aInternationalTextileManufacturers Federation(ITMF) e aInternationalApparel Federation(IAF), o Congresso acontece nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. O tema central da edição é Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades.
O painel terá a mediação deChris Alt, presidente da American & Efird, comos painelistas VarunVaid, Diretor Executivo da WazirAdvisors; Robert Antoshak, Vice-Presidente e Global StrategicSourcing & Development da Grey Matter Concepts; Marco Antonio Branquinho, Diretor-Presidente da Vicunha Têxtil; e Chen Hao, Secretária do Conselho e Diretora Geral do Centro de Mercado de Capitais da BosidengInternational Holdings Limited.
Critérios definem local de produção
Para Robert Antoshak, da Grey Matter Concepts, a reorganização das cadeias globais tornou a avaliação dos fornecedores muito mais complexa. A pandemia, as tarifas e crises logísticas expuseram os riscos da concentração produtiva. Empresas passaram a distribuir a produção por diferentes países, inclusive mais próximos dos consumidores.
“Um preço baixo não serve de nada quando o contêiner chega com três semanas de atraso”, afirma. Segundo Antoshak, competitividade envolve entregas previsíveis, rastreabilidade, infraestrutura, energia confiável e capacidade de resposta, entre outros aspectos. Para ele, acordos comerciais e segurança regulatória ajudam a atrair investimentos, mas a permanência dos negócios depende da capacidade de o país avançar para além da simples montagem.
Perspectivade novos polos de produção
Para VarunVaid, da WazirAdvisors, a estratégia “China+1” (estratégia empresarial pela não dependência exclusiva da China) ganha força. “Temos o aumento de custos e exigênciaspelaconformidadecom a China, e de outro lado novas regras de sustentabilidade e rastreabilidade na União Europeia e nos Estados Unidos, pressionando compradores a diversificar fornecedores”, lembra.
“Para as economias emergentes, a oportunidade está tanto em absorver a capacidade produtiva que deixa a China, como em construir uma competitividade duradoura”, afirma Vaid. Para isso, defende ecossistemas integrados, da fibra à moda. O executivo aponta espaço para investimentos em segmentos de maior valor agregado, como fibras sintéticas e têxteis técnicos. “Países que encararem este momento como uma oportunidade para construir uma vantagem estrutural e sistêmica conseguirão manter sua posição muito além do atual ciclo de realinhamento.”
Cadeias mais integradas e resilientes
Para Marco Antonio Branquinho, da Vicunha Têxtil, a nova geografia industrial não representa uma simples transferência da produção entre regiões, mas uma diversificação das cadeias globais. Se antes o menor custo tinha papel central, hoje fatores como resiliência, segurança de abastecimento, velocidade de resposta, acesso a matérias-primas e sustentabilidade pesam muito nas decisões.
“A competitividade não será determinada por uma única vantagem. Será resultado da capacidade de combinar custo, escala, velocidade, inovação, sustentabilidade e confiabilidade”, afirma Branquinho. Para ele, transformar as oportunidades em ganhos duradouros exige um ecossistema industrial completo, com matéria-prima, tecnologia, mão de obra qualificada, infraestrutura e logística eficiente. A integração é ainda mais estratégica. “Não basta deslocar a confecção se fios, tecidos e insumos continuam vindo de longas distâncias”, mostrando que cadeias mais integradas garantem a eficiência.