Internacionalização fortalece indústria e amplia espaço da moda nacional no mundo
26/06/2026
Programa Texbrasil e trajetória do Congresso mostram como estratégia, inovação e identidade brasileira impulsionam empresas têxteis e de confecção no mercado global
Ao longo da primeira década do Congresso Internacional Abit, um tema esteve presente de forma recorrente nos debates entre empresários, especialistas e lideranças do setor: como ampliar a presença dos produtos têxteis e de vestuário brasileiros no competitivo mercado global. A discussão ganha ainda mais relevância na edição de 2026, realizada em parceria entre a Abit, a InternationalTextileManufacturers Federation (ITMF) e a InternationalApparel Federation (IAF), consolidando o evento como Congresso Internacional Brasil 2026.
Uma jornada de preparação para competir globalmente
Mais do que acompanhar oscilações econômicas e movimentos do comércio mundial, o setor tem observado uma transformação importante na forma como as empresas brasileiras se preparam para atuar no exterior. Segundo a Superintendente de Marketing e Negóciosda Abit, Lilian Kaddissi, a evolução mais significativa ocorreu no fortalecimento das capacidades empresariais. “Hoje as empresas têm mais acesso à informação, ferramentas digitais, inteligência de mercado e conhecimento sobre os requisitos dos diferentes mercados. Isso fortalece sua competitividade e amplia oportunidades de negócios internacionais”, afirma.
Essa evolução tem sido impulsionada por iniciativas estruturadas de apoio à internacionalização, com destaque para o Programa Texbrasil, criado há mais de 25 anos por meio da parceria entre Abit e ApexBrasil. O programa se tornou referência na preparação de empresas para competir globalmente, promovendo capacitações, estudos de mercado, participação em feiras internacionais, missões comerciais e projetos de imagem que aproximam marcas brasileiras de compradores em diversos continentes.
Estratégia vale mais do que porte
Os resultados acumulados ao longo das últimas duas décadas demonstram a força dessa iniciativa. Mais de 1.900 empresas já foram atendidas pelo Texbrasil, contribuindo para cerca de US$ 10,5 bilhões em exportações e participações em centenas de feiras internacionais. Atualmente, 388 empresas apoiadas pelo programa respondem por 57% das exportações do setor, comprovando que a internacionalização está ao alcance de negócios de diferentes tamanhos.
Para Lilian Kaddissi, o desempenho internacional não depende necessariamente do porte da empresa. “Já vimos pequenas empresas alcançarem excelentes resultados em nichos específicos e médias empresas consolidarem operações internacionais robustas. O diferencial está na estratégia, no posicionamento claro, na construção de relacionamentos e na capacidade de adaptação às demandas dos mercados”, destaca.
A força da marca Brasil
Outro aspecto que chama atenção nessa trajetória é a crescente valorização da identidade brasileira no exterior. A presença de produtos que carregam referências culturais, criatividade, diversidade e atributos ligados à sustentabilidade tem contribuído para fortalecer a imagem da moda nacional junto aos consumidores internacionais.
Segundo Lilian, uma das principais mudanças observadas entre as empresas participantes do Texbrasil é a compreensão de que a internacionalização vai muito além da venda imediata. “Muitas entram no programa buscando oportunidades comerciais e descobrem que esse é um processo de construção de marca, aprendizado e transformação do próprio negócio”, explica.
Resultados que vão além das exportações
A consolidação da parceria entre Abit e ApexBrasil também demonstra a importância de políticas de longo prazo para ampliar a competitividade da indústria nacional. Em diferentes edições do Congresso, representantes da ApexBrasil destacaram a necessidade de inserir empresas brasileiras em cadeias globais de valor, fortalecendo competências como inteligência de mercado, resiliência e adaptabilidade.
Para Lilian Kaddissi, talvez o principal legado dessa trajetória esteja justamente nos efeitos indiretos da internacionalização. “Os impactos vão muito além das exportações. As empresas se tornam mais preparadas para atender padrões internacionais, mais inovadoras e mais competitivas, tanto no mercado externo quanto no mercado doméstico”, conclui.