Futuro das fibras pede investimento contínuo em inovação
30/09/2026
O futuro para um mercado de fibras mais tecnológico, diversificado e sustentável passa, necessariamente, pela pesquisa e coexistênciadas matérias naturais esintéticas
O futuro das fibras estará menos relacionado à disputa entre matérias-primas e cada vez mais ligado à capacidade de combinar inovação, desempenho e sustentabilidade. O Painel 2 – O Futuro das Fibras, abre espaço para que protagonistas atuantes nesse segmento reflitam sobre caminhos e novas possibilidades.
O encontro se dá durante o Congresso Internacional Brasil 2026, que se realizará em Fortaleza, nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará. Promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em parceria com a International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF), o evento tem como tema central Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades.
O painel dedicado ao atual cenário das fibras têxteis reunirá Andreas W. Engelhardt (The Fiber Year GmbH); Eduardo Ferlauto (Lojas Renner); Haroldo Cunha (Abrapa); Fernando Prudente (Bayer) e Carlos Fernandes (Abrafas).
As transformações que deverão moldar o mercado de fibras nos próximos anos estarão em pauta. Em destaque: o avanço tecnológico, a busca por matérias-primas mais sustentáveis, o desenvolvimento de fibras funcionais e o potencial dos blends para reunir diferentes atributos em um mesmo produto.
Fibras em transformação
Andreas W. Engelhardt, presidente da The Fiber Year GmbH, prevê que o setor de fibras seguirá crescendo em volume, mas em ritmo mais lento, em razão da desaceleração demográfica. Segundo ele, fibras sintéticas e artificiais são indispensáveis para atender à demanda de uma população que deverá chegar a 10 bilhões de pessoas até 2060, enquanto as fibras naturais tendem à estagnação. Nesse cenário, Engelhardt vê nas fibras celulósicas à base de madeira, especialmente o liocel, um futuro promissor. “A verdadeira circularidade implica processar resíduos têxteis regionalmente para transformá-los em novos bens de consumo”. Para ele, limitações técnicas e custos ainda são desafios decisivos.
Matérias-primas mais responsáveis
Para Eduardo Ferlauto, diretor de Sustentabilidade da Lojas Renner e diretor executivo do Instituto Lojas Renner, o desenvolvimento de matérias-primas sustentáveis é estratégico para a transição da companhia rumo a uma economia de baixo carbono. O algodão é hoje a principal fibra utilizada, com mais de 95,3% do volume certificado. Entre as iniciativas, destaca o Programa de Algodão Agroecológico, que, desde 2017, beneficiou cerca de 398 famílias e gerou renda média mensal de R$ 6 mil por família. Na reciclagem, a companhia aposta em algodão pós-consumo e pré-consumo. Para as fibras sintéticas, a meta é ampliar o uso de materiais reciclados até 2030.
Inovação para conquistar espaço
Haroldo Cunha, membro da Assembleia da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), assinala que o algodão, que há cerca de 40 anos representava mais de 50% do mercado de fibras, hoje responde por cerca de 22%. “O avanço das fibras de origem fóssil está relacionado principalmente ao custo, à evolução da moda e à praticidade, seja pela manutenção da roupa, seja pelo menor amassamento”, sinaliza Cunha. Nesse sentido, o empresário destaca que entre os grandes desafios do setor do algodão e das fibras naturais em geral está “o investimento em inovação tecnológica para ampliar a competitividade e atender às demandas do consumidor”.
Um mercado mais diversificado
Para Fernando Prudente, diretor de Negócios de Algodão da Bayer, o futuro das fibras será mais diversificado, tecnológico e orientado pela sustentabilidade. Embora reconheça os avanços das fibras sintéticas, ele destaca atributos ainda difíceis de reproduzir, como conforto, respirabilidade e absorção de umidade. “O algodão tem uma característica fundamental para o futuro da indústria: é uma fibra de origem renovável e biodegradável”. Prudente ressalta ainda a evolução tecnológica da cotonicultura e a posição do Brasil, onde cerca de 90% da produção é certificada. Para ele, naturais e sintéticas continuarão coexistindo, mas critérios como origem, rastreabilidade e impacto ambiental ganharão peso nas decisões.
A fibra como diferencial
Para Carlos Fernandes, presidente do Conselho da Associação Brasileira dos Fabricantes de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), atributos como conforto, performance, facilidade de manutenção e durabilidade estão entre as prioridades do consumidor contemporâneo e exigem excelência de toda a cadeia têxtil. Nesse processo, as fibras representam um elo estratégico. “A inovação está diretamente ligada ao desenvolvimento de fibras funcionais, aliado principalmente à sustentabilidade como um todo”, afirma. Fernandes também destaca o potencial das misturas na construção de tecidos, combinando características distintas para ampliar o desempenho dos produtos e atender às novas demandas do mercado.