Dados para transformar sustentabilidade em competitividade
30/09/2026
Estudo do SENAI CETIQT em parceria com a Abit estrutura indicadores para mapear o estágio da sustentabilidade da indústria têxtil e de confecção brasileira e apoiar decisões estratégicas
A sustentabilidade e a economia circular há muito deixaram de ocupar posição periférica na indústria têxtil e de confecção brasileira para integrar a agenda de inovação, competitividade e geração de valor do setor. Nesse cenário, marcado também por novas exigências regulatórias, acordos comerciais e demandas crescentes por rastreabilidade e transparência, ter acesso a informações confiáveis é estratégico. Nesse contexto, o SENAI CETIQT, patrocinador do Congresso Internacional Brasil 2026, desenvolve, juntamente com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), amplo levantamento sobre indicadores de sustentabilidade do setor.
O trabalho está sendo desenvolvido pelo Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NuSEC), criado pelas duas entidades e atualmente integrado ao Observatório da Indústria Têxtil e de Confecção (OITC). A iniciativa busca organizar evidências, acompanhar o desempenho da cadeia produtiva e oferecer subsídios técnicos para empresas, entidades representativas e formuladores de políticas públicas.
Segundo o diretor executivo do SENAI CETIQT, Sérgio Luiz Souza Motta, a iniciativa responde a uma necessidade que se torna cada vez mais evidente diante das transformações pelas quais passa a indústria. “Sem uma ação como a do NUSEC e Observatório da Indústria Têxtil e de Confecção, que transforma dados dispersos em informação estratégica, é extremamente difícil ter uma visão do todo”, afirma.
Indicadores e respectivas áreas
O estudo partiu de uma análise de materialidade que definiu os cinco temas mais relevantes para o setor: Meio Ambiente, Capital Social, Capital Humano, Inovação e Governança. Esses temas foram desdobrados em 16 tópicos e 102 indicadores, contemplando questões como mudanças climáticas e energia, água e efluentes, resíduos sólidos, economia circular, biodiversidade, saúde e segurança dos trabalhadores, relações de trabalho, inovação e gestão de riscos ESG.
Para construir essa primeira análise, foram consultadas 13 bases de dados oficiais, incluindo informações de reporte obrigatório pelas empresas, como o Relatório de Atividades Potencialmente Poluidoras, do Ibama. O levantamento permitiu calcular, até o momento, 73 dos 102 indicadores propostos.
O resultado, explica Motta, representa um avanço, mas também evidencia uma lacuna: parte importante das informações necessárias para compreender o setor não está disponível nas bases públicas. Por isso, o próximo passo será complementar o levantamento com dados obtidos diretamente das empresas.
Pesquisa primária amplia a visão
O OITC realizará, no início de 2027, uma pesquisa primária junto à indústria têxtil e de confecção. A proposta é captar informações que não aparecem nos registros secundários e, ao mesmo tempo, identificar particularidades relacionadas aos diferentes segmentos produtivos, portes empresariais e regiões do país.
A combinação das duas fontes permitirá abordar temas como relações com comunidades, diversidade, equidade e inclusão, além de possibilitar aprofundar a análise dos indicadores e diferenciar, por exemplo, uma eventual lacuna de desempenho de uma simples ausência de informação. “Ao integrarem a base já existente, os novos dados darão uma visão completa sobre o atual estágio da sustentabilidade. Será possível constatar como a indústria têxtil e de confecção comporta-se hoje no País quanto à sustentabilidade, com melhor acompanhamento dessa evolução”, destaca o executivo.
A qualidade do processo dependede uma mudança na forma como as empresas lidam com os próprios dados, de tal forma que o registro de informações seja incorporado às rotinas de gestão. Conceitos e métricas padronizados, responsabilidades definidas, equipes capacitadas, segurança e mecanismos de controle são fundamentais para garantir dados comparáveis, rastreáveis e confiáveis, segundo o executivo.
Inteligência para a competitividade
A construção dessa base de informações também está relacionada à posição que o Brasil pretende ocupar na agenda global da sustentabilidade. O país reúne atributos como uma cadeia têxtil e de confecção integrada, matriz energética predominantemente limpa e renovável, biodiversidade, mercado interno robusto e localização estratégica.
Esses diferenciais, porém, precisam ser medidos e comunicados de forma consistente, convertendo-se em vantagem competitiva. “Trata-se de informações que contribuirão para incrementar a agenda do Brasil no campo da indústria e da sustentabilidade, visando à competitividade”, ressalta Motta.
Nesse sentido, o OITC pretende ir além do registroe sistematização de dados. Ao transformar dados públicos dispersos em informações qualificadas, o Observatório contribui para a construção de uma inteligência setorial capaz de apoiar decisões, identificar tendências, antecipar riscos e subsidiar a formulação de políticas públicas.
Dos dados à prática
A iniciativa também impulsionou a criação, pelo SENAI CETIQT, de um portfólio de serviços de consultoria em sustentabilidade voltado às empresas do setor. Apoiado por uma equipe multidisciplinar de especialistas em sustentabilidade, materiais, têxtil, confecção e análise de dados, o OITC atua na geração de inteligência e no suporte à gestão da sustentabilidade.
O Observatório oferece serviços como diagnósticos, planejamento estratégico, desenho e implementação de projetos e programas de sustentabilidade, monitoramento de indicadores e elaboração de relatórios de sustentabilidade.
A perspectiva, portanto, é transformar a governança de dados em infraestrutura permanente para o desenvolvimento da indústria, capaz de orientar estratégias, monitorar avanços e subsidiar ações que fortaleçam a competitividade e a sustentabilidade do setor, evidenciando sua evolução econômica, ambiental e social ao longo do tempo.
O portfólio de serviços oferecidos pelo SENAI CETIQT será apresentado no hall de expositores do Congresso, que se realizará nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará, numa parceria entre a Abit, a International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF).