Comércio e regulamentação em debate pela competitividade global
21/08/2026
Congresso reúne representantes de diferentes mercados para discutir barreiras ambientais e técnicas, acordos, defesa comercial e os novos desafios da indústria têxtil
As transformações no comércio internacional e o avanço das exigências regulatórias estão redesenhando as condições de competitividade da indústria têxtil e de confecção. É nesse contexto que o Painel 5 – Comércio e Regulamentação: O Novo Cenário – integra a programação do Congresso Internacional Brasil 2026, realizado pela Abit em parceria com a International Textile Manufacturer Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF). O encontro, que se realizará nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Convenções de Fortaleza, colocará em debate barreiras ambientais e técnicas, competitividade, defesa e acordos comerciais, a partir das diferentes perspectivas de importantes mercados globais.
Regulação e novas regras do comércio
Para Dirk Vantyghem, diretor-geral da Confederação Europeia da Indústria Têxtil e do Vestuário (Euratex), a agenda regulatória voltada à sustentabilidade pode estimular empresas a investir em inovação e transparência, mas ainda há riscos de que se transforme em barreira comercial. “O principal desafio reside em divergências regulatórias entre os diferentes mercados e na falta de uma fiscalização adequada”, afirma. Segundo ele, sem regras convergentes e condições de concorrência equilibradas, os novos requisitos podem representar apenas um ônus adicional para a indústria. No campo geopolítico, Vantyghem destaca a estratégia da União Europeia de diversificar parceiros e reduzir dependências, movimento que já se reflete nos acordos com o Mercosul, a Índia e a Indonésia. A tendência deve influenciar fluxos de comércio e investimentos, à medida que empresas buscam diversificar fornecedores e aproximar a produção dos consumidores. “A Euratex deseja manter uma relação aberta com todos os parceiros comerciais, mas insiste em condições equitativas de concorrência.”
Sustentabilidade e cadeias mais resilientes
Para Stephen Lamar, presidente e CEO da American Apparel & Footwear Association (AAFA), sustentabilidade, rastreabilidade e transparência podem impulsionar a inovação, a eficiência e a resiliência das cadeias globais de suprimentos. O executivo, porém, alerta que regulamentações fragmentadas ou inconsistentes entre mercados podem elevar custos, gerar obrigações duplicadas e desviar recursos da inovação. Para ele, o caminho passa pelo diálogo entre os diferentes elos da cadeia e pela harmonização dos requisitos. No comércio, Lamar chama atenção para o movimento contrário dos Estados Unidos à tendência de fortalecimento dos acordos regionais. Segundo ele, a não renovação do USMCA (tratado de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá) ameaça investimentos e empregos e pode reduzir oportunidades de nearshoring. A parceria, afirma, também contribuiu para a diversificação das operações do setor para além da China.
China, papel demarcado na cadeia global
Para Sun Ruizhe, secretário do Partido e presidente do Conselho Nacional de Têxteis e Vestuário da China (CNTAC), a indústria têxtil e de vestuário é um elo estratégico entre os mercados globais e “ponte para o intercâmbio entre diferentes culturas”. Em 2024, segundo ele, o setor chinês movimentou US$ 81,34 bilhões em produtos intermediários, como fibras químicas, fios e tecidos, evidenciando sua resiliência e capacidade de coordenação global. Diante da intensificação da concorrência e das transformações estruturais, Ruizhe afirma que a indústria chinesa seguirá avançando nos eixos de “tecnologia, moda, sustentabilidade e saúde”. A meta, destaca, é contribuir para a cooperação na cadeia industrial global com “soluções chinesas e sabedoria têxtil”.
Comércio aberto, mas com regras equilibradas
Para Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, comércio internacional e regulamentação estão cada vez mais interligados e são determinantes para a competitividade da indústria têxtil e de confecção. Em um cenário marcado pela expansão das importações, excesso de capacidade produtiva, avanço do comércio digital transfronteiriço e novas exigências de sustentabilidade, rastreabilidade e circularidade, ele defende um comércio aberto, mas também equilibrado e transparente. “Precisamos de mais comércio, mas também de melhores regras para o comércio”, afirma. Pimentel observa que reunir representantes da Europa, Estados Unidos, China e Brasil permite confrontar diferentes experiências e discutir caminhos para assegurar condições justas de concorrência. O objetivo, destaca, é contribuir para uma indústria global mais competitiva, sustentável e integrada.