CNI: política industrial de longo prazo para fortalecer setor T&C
09/10/2026
Ricardo Alban aponta redução do Custo Brasil, defesa comercial, inserção internacional e inovação como prioridades para ampliar a competitividade da indústria
Foto: IanoAndrade / CNI
A política industrial deve ser tratada como uma estratégia de Estado, com continuidade e visão de longo prazo, para criar condições de competitividade, inovação e crescimento para a indústria brasileira. A avaliação é de Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), patrocinadora do Congresso Internacional Brasil 2026. Realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), pela InternationalTextileManufacturers Federation (ITMF) e pela InternationalApparel Federation (IAF), o evento ocorre nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.
Para Alban, uma política industrial consistente deve combinar modernização produtiva, financiamento, integração das cadeias e inserção internacional. No caso específico do setor têxtil e de confecção, o dirigente destaca desafios como os custos de energia e financiamento, a concorrência de produtos importados, a complexidade tributária e os gargalos de infraestrutura.
“A política industrial deve ser o motor de desenvolvimento econômico, científico e social do país, por isso defendemos que seja uma política de Estado, perene e continuamente aprimorada.”
Competitividade versus Custo Brasil
Na avaliação do presidente da CNI, inovação, integração internacional, agenda climática, educação e desenvolvimento regional são alguns dos pilares para fortalecer a indústria. Ao mesmo tempo, é necessário enfrentar fatores que elevam o custo de produção no país, como energia, transporte, financiamento, tributação, relações do trabalho, segurança pública e regulação.
Para a cadeia têxtil e de confecção, Alban defende uma combinação de instrumentos que também contemple o estímulo à demanda. Entre as possibilidades está o uso do poder de compra do Estado para gerar escala e ampliar o mercado para produtos nacionais inovadores e sustentáveis, especialmente em áreas como saúde, defesa e educação.
O presidente da CNI também chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso de micro, pequenas e médias empresas a crédito e instrumentos de inovação compatíveis com sua realidade. Na dimensão internacional, a estratégia passa pelo apoio às exportações, pelo aproveitamento dos acordos comerciais e pela criação de condições mais equilibradas de competição.
“Mais Brasil no mundo”
A reorganização das cadeias globais e as transformações geopolíticas aumentam, segundo Alban, a necessidade de uma estratégia coordenada para ampliar a presença brasileira no exterior. A agenda defendida pela CNI, sintetizada no conceito de “Mais Brasil no mundo”, combina diversificação de mercados, defesa comercial e diplomacia econômica.
“O Brasil precisa fortalecer sua capacidade de promover seus interesses econômicos no exterior.”
Entre as propostas estão a negociação de acordos com parceiros estratégicos, a redução dos custos de comércio exterior, o desenvolvimento de inteligência de mercado, a realização de missões empresariais e agendas de matchmaking e o fortalecimento da promoção comercial brasileira no exterior.
Para o setor têxtil e de confecção, a estratégia pode ajudar a aproximar empresas de compradores internacionais e a transformar benefícios obtidos em acordos comerciais em negócios efetivos. “É importante a preparação da indústria para ocupar os espaços que já foram conquistados”, afirma Alban.
Defesa comercial mais ágil
Outro ponto considerado estratégico pela CNI é a modernização dos mecanismos de defesa comercial. Em um ambiente de concorrência global mais intensa, excesso de capacidade produtiva em alguns mercados e risco de desvios de comércio, Alban defende instrumentos mais eficientes, previsíveis e acessíveis às empresas brasileiras.
“É fundamental que o Brasil conte com instrumentos robustos de defesa comercial eficientes, previsíveis, acessíveis e alinhados às melhores práticas internacionais.”
A CNI defende, entre outras medidas, o aperfeiçoamento do arcabouço normativo e operacional da defesa comercial, incluindo a revisão do decreto de salvaguardas, além da simplificação de procedimentos investigativos. A intenção é facilitar o acesso aos instrumentos por pequenas e médias empresas e por setores mais fragmentados.
A entidade também propõe fortalecer o uso de medidas antidumping, compensatórias e de salvaguarda e criar um sistema nacional de monitoramento estratégico das importações. A ferramenta permitiria acompanhar volumes, preços, origens e tendências, gerando alertas sobre movimentos atípicos e possíveis práticas desleais.
Inovação para elevar produtividade
A transformação tecnológica aparece como outro eixo para o futuro da cadeia. Dados do Observatório Nacional da Indústria, em parceria com a Abit, citados por Alban, mostram que, entre 2000 e 2024, a produção de têxteis cresceu 18%, enquanto as emissões diretas de CO2 caíram mais de 70%.
O resultado, segundo o presidente da CNI, demonstra que crescimento e sustentabilidade podem avançar conjuntamente quando acompanhados de inovação e políticas industriais voltadas à transição para uma economia de baixo carbono.
“Esse desempenho evidencia que crescimento econômico e sustentabilidade podem caminhar juntos, desde que acompanhados por inovação tecnológica e políticas industriais que estimulem a transição para uma economia de baixo carbono.”
Entre as prioridades apontadas estão políticas de extensão industrial, como o Brasil Mais Produtivo, programas de capacitação digital e linhas de financiamento para a modernização com máquinas inteligentes, como Inovacred 4.0 e Finame 4.0.
A CNI também defende estímulos à pesquisa, desenvolvimento e inovação para ampliar a produção de têxteis técnicos de alto valor agregado, incluindo soluções de biossegurança, resistência térmica, materiais biodegradáveis e têxteis balísticos. A aposta é que esses nichos contribuam para elevar a produtividade, agregar valor à produção brasileira e abrir novas oportunidades no mercado global.