Cadeias produtivas na era de velocidade, flexibilidade e proximidade
09/10/2026
Painel do Congresso Internacional Brasil 2026 mostra como tecnologia, novos modelos de produção e reorganização dos fluxos globais podem aproximar a indústria das demandas de um consumidor em cenários de imprevisibilidade
O Painel 3 – Modelos produtivos: velocidade, flexibilidade e proximidade com o mercado do Congresso Internacional Brasil 2026 colocará em debate a necessidade de transformar as cadeias produtivas para responder com mais agilidade às mudanças do consumo. Entre os temas estão produção sob demanda, redução de lead time, digitalização e automação industrial, além de customização e fabricação em pequenos lotes.
O encontro tem como tema central “Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades”,e será realizado nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, com promoção da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em parceria com a InternationalTextileManufacturers Federation (ITMF) e a InternationalApparel Federation (IAF).
Este painelterá como participantesBill McRaith, consultor executivo da Future-Proof Fashion; Rodrigo Braga, fundador e CEO da DressTo; Alex Zucchi, presidente da CEMATEX, e Luca Sburlati, presidente da Confindustria Moda. A mediação será de MatthijsCrietee, secretário-geral da InternationalApparel Federation (IAF)
Cadeias mais próximas do mercado
Para Bill McRaith, da Future-Proof Fashion, a transformação passa pela adoção estratégica de diferentes modelos de produção –offshore, nearshore e onshore–, de acordo com as necessidades de marcas, varejistas e fabricantes. Segundo o consultor, muitas cadeias de suprimentos ainda seguem estruturas criadas há mais de 35 anos e já não respondem à velocidade do consumo atual. Novas marcas e varejistas asiáticos, especialmente da China e da Índia, vêm ganhando espaço diante das dificuldades enfrentadas pelas empresas tradicionais. McRaith lembra que, a partir do final dos anos 1980, a transferência da produção dos principais mercados consumidores para o exterior não trouxeganhos sustentáveis de rentabilidade esperados. “O varejista obteve poucos benefícios reais”, afirma. Ele aponta que as margens de EBIT, antes próximas de 10%, recuaram para níveis entre 3% e 5%. E mantiveram-se em queda, segundo o especialista, na década seguinte. A perda de vendas a preço cheio estaria entre as principais consequências desse modelo. “As cadeias de suprimentos e os processos internos de marcas e varejistas já não atendem às necessidades de um consumidor volúvel e que muda rapidamente”, avalia.
Tecnologia para uma manufatura mais flexível
Na avaliação de Alex Zucchi,da CEMATEX, a reorganização das cadeias globais de produção exige mudanças nos próprios modelos de manufatura. Velocidade, flexibilidade e proximidade com os mercados são, para ele, fatores determinantes para a competitividade industrial. A redução dos prazos de entrega permite responder melhor a uma demanda imprevisível e diminuir a dependência de estimativas de longo prazo. Marcas, por sua vez, buscam maior variedade, lotes menores e trocas rápidas entre produtos e materiais, incluindo fibras recicladas e novas fibras. “A flexibilidade de mercado depende, em última instância, da flexibilidade de manufatura”, afirma. Zucchi também vê oportunidades para países como o Brasil, que contam com cadeia têxtil integrada e mercado interno relevante. Mas ressalta que proximidade não basta: “Os fabricantes precisam da tecnologia adequada para competir em termos de produtividade, qualidade, flexibilidade e eficiência de custos”.
Itália aposta em um ecossistema integrado
Para Luca Sburlati, daConfindustria Moda, a estratégia produtiva precisa considerar as diferentes categorias de produtos e perfis de consumidores. Na Itália, segundo ele, a atenção está cada vez mais voltada para uma cadeia de suprimentos de excelência, na qual qualidade e design permeiam todas as etapas, das matérias-primas ao produto final. Sburlati destaca ainda a força do ecossistema italiano, que movimenta cerca de 100 bilhões de eurospor ano e reúne, em partes equivalentes, marcas globais, empresas médias e grandes e cerca de 30 mil pequenas empresas e artesãos. “Esse ecossistema garante flexibilidade e agilidade”, afirma. O desafio, agora, é fortalecer as pequenas e médias empresas para enfrentar a incorporação de tecnologias habilitadoras. Outro ponto crítico é o acesso às matérias-primas. “Devemos estabelecer parcerias ainda mais sólidas com países e fornecedores”, defende o dirigente italiano, citando fibras naturais, como lã, algodão e seda, e materiais de base sintética.
Brasilidade como plataforma de internacionalização
A trajetória da DressTo ilustra como a identidade brasileira pode se tornar diferencial competitivo na expansão internacional. Conceitualmente ancorada na brasilidade, a marca vive processo de internacionalizaçãoconciliandoraízes com a aproximação de mercados consumidores. Para Rodrigo Braga, CEO da empresa, ampliar a presença no exterior significaaproveitar a estrutura industrial brasileira para construir relações mais próximas com diferentes mercados. “Para nós, internacionalizar não é deixar de produzirno Brasil,mas usar a capacidade produtiva brasileira como plataforma para estar mais perto dos mercados”, enfatiza.Aqui a marca conta com 42 lojas, 18 franquias, e-commerce e cerca de 850 pontos de venda multimarcas. A DressTo também está no México, Caribe, Canadá, Estados Unidos e Europa. No mercado norte-americano, mantém loja em Miami, centro de distribuição, e-commerce e cerca de 350 pontos de venda multimarcas, além de ampliar sua presença em canais internacionais.