14 E 15 DE OUTUBRO | FORTALEZA

Brasil reúne atributos para se tornar polo estratégico na cadeia têxtil global

18/06/2026

Especialistas analisam os diferenciais competitivos do país, os desafios da industrialização e as tendências que estão redefinindo os investimentos no setor têxtil e de confecção 

 

A competitividade da indústria têxtil e de confecção brasileira, os novos critérios globais para atração de investimentos e as oportunidades de fortalecimento da cadeia produtiva estarão no centro dos debates do Painel 7 do Congresso Internacional Brasil 2026, que será realizado nos dias 14 e 15 de outubro, em Fortaleza. O evento, realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), conta nesta edição com a importante parceria da InternationalTextileManufacturers Federation (ITMF) e da InternationalApparel Federation (IAF). 

Com o tema “Brasil: capacidades, cadeia de valor integrada e oportunidades de investimento”, o encontro reunirá Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado; Laurent Aucouturier, consultor da GherziTextilOrganisation AG, e Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Econômica da XP Investimentos. 

Além das perspectivas econômicas e industriais, o painel abordará temas que vêm transformando o setor globalmente, como inteligência artificial, automação, rastreabilidade e blockchain, ganhos de produtividade, requalificação da força de trabalho, comércio eletrônico e manufatura aditiva.  

 

Interiorizar valor e fortalecer a indústria 

Para Marcelo Prado, do IEMI, a principal vantagem competitiva do Brasil está na cadeia do algodão, segmento em que o país ocupa posição de destaque mundial. Segundo o executivo, o desafio agora é ampliar a transformação industrial dessa matéria-prima dentro do próprio território nacional, fortalecendo os elos produtivos e ampliando a geração de riqueza. “O ponto crucial é trabalhar a transformação industrial dessa fibra pela nossa indústria”, afirma. Para ele, a proximidade entre a produção de fibras e a indústria de confecção favorece a formação de polos produtivos capazes de atender tanto ao mercado interno quanto às demandas internacionais. 

Prado observa que o país reúne condições favoráveis para avançar em cadeias como a da viscose, impulsionada pela disponibilidade de madeira, além de possuir potencial para ampliar a produção de fibras sintéticas. Apesar dos desafios relacionados à infraestrutura, logística e custos de energia e transporte, ele defende que a estratégia brasileira deve priorizar diferenciação e valor agregado. “Nem tudo é preço, preço está na commodity. É preciso criar valor para o produto acabado”, destaca. Como exemplo, cita a Bahia, grande produtora e que exporta 95% do algodão que cultiva.“Ao ser exportada sem processamento industrial, a fibra deixa de representar ganho expressivo para o Estado, que poderia estar gerando emprego, investimento e renda”, frisa Prado. 

 

Um novo mapa global de investimentos 

Na visão de Laurent Aucouturier, o ambiente internacional muda rapidamente e exige nova abordagem dos países produtores. O consultor da Gherzi avalia que fatores como tensões geopolíticas, tarifas comerciais, exigências ESG e interrupções nas cadeias de suprimentos reduziram a relevância do modelo baseado exclusivamente em mão de obra barata. “O investimento têxtil não é mais uma corrida pela agulha mais barata”, afirma. Segundo ele, investidores buscam hoje velocidade, rastreabilidade, confiabilidade, resiliência e capacidade de execução. 

Nesse cenário, o especialista considera que o Brasil possui atributos cada vez mais valorizados, como produção de algodão em escala global, cadeia integrada, matriz energética com forte presença de fontes renováveis e amplo mercado consumidor. Para Aucouturier, o desafio está em transformar as vantagens em proposta concreta para investidores internacionais. “Sua oportunidade é parar de vender potencial e começar a vender certeza em escala para investidores, marcas e fabricantes globais que buscam resiliência”, resume. 

 

Perspectivas econômicas e consumo 

O painel contará ainda com a participação de RodolfoMargato, vice-presidente de Pesquisa Econômica da XP Investimentos, que apresentará uma análise do ambiente econômico e seus impactos sobre a cadeia têxtil e de confecção. O setor, historicamente intensivo em capital e dependente de investimentos contínuos em modernização e produtividade, acompanha atentamente os indicadores de consumo e varejo. 

De acordo com as projeções mais recentes da XP, publicadas no blog Expert XP, o segmento de vestuário mantém perspectivas positivas para os próximos meses, apoiado por condições climáticas mais favoráveis e pela capacidade das empresas de fortalecerem suas propostas de valor.  







WhatsApp