ABDI aposta em dados e qualificação para transformar setor T&C
08/10/2026
Parceria com a Abit vai mapear geração e destinação de resíduos da cadeia têxtil e de confecção, enquanto iniciativa com o SENAI-DF testa caminhos para ampliar produtividade, qualificação e novos negócios
A transformação digital, a geração de dados e a qualificação profissional estão entre os caminhos apontados pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para ampliar a produtividade e a competitividade da indústria têxtil e de confecção. Em uma cadeia extensa e heterogênea, que reúne grandes empresas e milhares de pequenos negócios, o desafio passa por compreender melhor seus diferentes elos e criar condições para que informação e tecnologia se convertam em eficiência e novas oportunidades.
Para o gerente da Unidade de Novos Negócios da ABDI, Samy KopitMoscovitch, não há uma fórmula única para promover essa transformação. “É preciso considerar as características de cada cadeia, o grau de maturidade tecnológica das empresas, bem como a capacidade de gerar e utilizar dados para melhorar processos e orientar decisões”, afirma.
Dados para uma cadeia mais circular
É nesse contexto que ganha relevância a parceria entre a ABDI e a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Durante a COP30, realizada em Belém, em 2025, as entidades assinaram convênio de cooperação técnica visando ao desenvolvimento de estudo inédito sobre a geração e a destinação dos resíduos da indústria têxtil e de confecção.
A proposta é mapear esse processo e, a partir dos dados, preencher lacunas de informação e aproximar indústria, varejo, recicladores e poder público. O levantamento poderá subsidiar políticas públicas e estratégias empresariais de economia circular, inclusive a estruturação de um modelo de logística reversa para a cadeia, segundo Samy Moscovitch.
A rastreabilidade é outra frente de atuação. O Recircula Brasil, desenvolvido inicialmente para a cadeia do plástico, utiliza notas fiscais eletrônicas e mecanismos de rastreabilidade para acompanhar a movimentação de materiais reciclados. A metodologia vem sendo ampliada para outros segmentos, incluindo o têxtil, por meio do Sistema de Rastreabilidade da ABDI.
Ao transformar informações dispersas em dados verificáveis, a iniciativa contribui para ampliar a transparência, apoiar decisões empresariais e oferecer evidências para a formulação de políticas públicas.
Experiência no DF pode inspirar outros polos
A qualificação e o apoio aos pequenos negócios também integram a agenda da ABDI. É o caso do Indústria da Moda, desenvolvido em parceria com o SENAI-DF, que combina formação profissional, vivências em empresas, apoio ao empreendedorismo e consultorias para confecções.
A experiência no Distrito Federal poderá gerar aprendizados para iniciativas futuras em outros polos têxteis e de confecção do país. “O aprendizado produzido no DF estará ligado a uma instituição de formação profissional que atua em todo o país e mantém uma relação orgânica com a indústria”, explica Moscovitch.
A ideia é construir, com o SENAI e parceiros locais, soluções adaptáveis em áreas como qualificação, apoio tecnológico, melhoria da produção, acesso a mercados e estímulo a novos negócios.
Eficiência para todos
A avaliação do projeto será determinante para definir se o modelo poderá avançar para outras regiões. No Distrito Federal, foram identificados mais de seis mil negócios de vestuário, dos quais cerca de 70% são microempreendedores individuais (MEIs). Em âmbito nacional, a indústria têxtil e de confecção reúne aproximadamente 1,34 milhão de empregos formais, com participação feminina estimada em 60%.
Entre os aspectos a serem acompanhados estão participação e conclusão das formações, acesso às consultorias e vivências, inserção profissional, continuidade ou fortalecimento de negócios, evolução da renda e conquista de novos clientes. Nas empresas, a avaliação deverá considerar produtividade, qualidade, desperdício, prazos de entrega, uso de ferramentas digitais e acesso a novos mercados. “A proposta é verificar se o ganho de eficiência chega também às pequenas confecções e às profissionais que executam o trabalho”, afirma Moscovitch.
A partir dos resultados e da sustentabilidade do modelo, a ABDI definirá os próximos passos, articulando iniciativas voltadas ao acesso a mercados, apoio aos pequenos negócios, digitalização e cooperação produtiva.